Consigo treinar um cachorro sem o colar eletrônico?

Isadora Rodrigues

9/22/20245 min read

Muitas pessoas se perguntam se o uso do colar eletrônico é realmente necessário para o adestramento de cães, especialmente aqueles que estão começando a explorar essa ferramenta. Por isso, neste artigo, vou destacar os benefícios do uso desse dispositivo no treinamento de cães domésticos urbanos, mostrando como ele pode ser uma ajuda valiosa, principalmente para cães e tutores com menos experiência em manejo.

Estima-se que a domesticação dos cães ocorreu em 20.000 a 40.000 anos atrás, sendo os cães considerados os primeiros animais domesticados. A coabitação entre humanos e cães foi um passo importante na sobrevivência de ambos, já que os cães ajudavam a caçar e a proteger, enquanto os humanos proviam sustento e abrigo. As primeiras coleiras eletrônicas surgiram nos anos 60, desenvolvidas pela marca Tri-Tronics, com principal intuito de treinar cães de caça. Suas primeiras coleiras eram robustas, com alcance limitado e controles simples, muitas vezes focados em um único estímulo.

Considerando que os cães foram adestrados por milhares de anos sem o uso de coleiras eletrônicas, surge a pergunta: por que utilizá-las atualmente? E quais são as vantagens?

Atual exigência comportamental dos cães domésticos

Nas gerações passadas, os cães tinham uma convivência menos próxima com suas famílias, muitas vezes sendo criados nos quintais das casas. Essa distância resultava em uma menor demanda por comportamentos específicas. Com o crescimento das áreas urbanas e a mudança do cenário residencial, muitos cães passaram a viver em apartamentos e a fazer parte de maneira mais íntima da rotina familiar. Esse novo contexto trouxe exigências maiores em relação ao comportamento dos animais, como: fazer as necessidades em locais adequados como tapetes higiênicos, não latir para sons como o da campainha ou interfone, caminhar sem puxar a guia, não reagir a outros cães e pessoas, não destruir móveis, saber ficar sozinho, e se comportar adequadamente em espaços públicos como shoppings e restaurantes.

Para essa inclusão do cachorro à família ocorrer de forma harmônica, se faz necessário o treinamento com restrição de espaço e melhores ferramentas para auxiliar o direcionamento, educação e limites dentro do cenário doméstico. Com esse intuito, a marca E-collar Technologies foi desenvolvida em 2012, e trouxe para o mercado colares eletrônicos mais simples, suaves, modernos e precisos, e se popularizou para ser utilizado por donos de cães de companhia, além dos cães de função.

O colar eletrônico entra no treinamento como meio de comunicação entre dono e cão. Por conta de suas características de estímulo TENS com variação de 0 a 100 níveis, grande alcance, apito, vibração, lanterna, a prova d'agua, o torna o equipamento mais completo e versátil, que possibilita treinar cães inseguros, reativos, surdos, agressivos, pequenos, grandes, que puxam na guia, agitados, ansiosos, ou seja, TODOS os cães podem ser treinados e se comunicar através do colar eletronico. Ele também se encaixa nos diversos cenários, desde ambientes sociais como shoppings e restaurantes, à praias e trilhas.

Mesmo poder de intervenção para pessoas com menos habilidades

Quando donos de cães perguntam para adestradores como educá-los, é comum a resposta de que precisa impor limites, ensinar as regras, mostrar confiança e se comportar como líder. Mas a dúvida é, como isso se traduz para donos de cães que não tem habilidades e conhecimento sobre o assunto? Como na prática conseguimos corrigir os comportamentos indesejados?

Um dos adestradores mais famosos, Cesar Millan, conhecido como o "Encantador de Cães", disseminou a ideia da energia calma, assertiva, e a importância do equilíbrio emocional do dono para melhorar a relação entre humanos e seus cães. Porém, esse é um conceito muito abstrato e uma habilidade não transferível, que depende da personalidade, conhecimento, estrutura física e postura de cada indivíduo. Por esse motivo, é comum que profissionais tenham sucesso com os cães, mas não consigam transmitir claramente ao dono o que fazer. O famoso "O cachorro obedece ao adestrador, mas não me obedece.".

E essa é uma das principais vantagens do colar eletrônico quando comparado com outras ferramentas manuais, como enforcador, prong collar ou até mesmo o peitoral. O colar permite uma comunicação em tons muito leves e tons altos com apenas um clique, e esse poder de intervenção claro e simples, consegue ser transferido da mão do adestrador para a mão do dono com muito mais facilidade. Dessa forma, o colar coloca pessoas com menos habilidades de manuseio no mesmo patamar de pessoas que possuem essa habilidade natural de comunicação com os cães.

Principalmente idosos, homens e mulheres mais sensíveis, pessoas com limitações físicas, e os cães com temperamento mais dificil e até cães surdos, serão os maiores beneficiados pela utilização do colar eletrônico no treinamento. Lembrando que essa facilidade não elimina a habilidade de manuseio do colar, assertividade no tempo da correção, e controle do resto da rotina do cachorro, para obter sucesso no treinamento.

Possibilidade de intervenção a distância

O colar eletrônico é o único equipamento que possibilita a comunicação à distância, sem a necessidade de guia, além de tornar a correção muito mais precisa. Soltar o cachorro da guia, por mais treinado que ele seja, sempre envolverá o risco de ele se distrair ou se assustar com algo. Quando ocorre uma situação fora de controle, o dono não tem como intervir, a não ser chamando o cão. Com o colar, você tem até 100 níveis de intensidade e 800 metros de alcance para intervir caso algo aconteça.

Vale ressaltar que um bom resultado com o colar eletrônico é fruto de treinamento diário, para que, em momentos extremos que exijam uma correção mais intensa, o cachorro saiba exatamente o que fazer. Caso contrário, muitos cães podem ultrapassar o nível 100 do colar e continuar com o comportamento inadequado, ou desenvolver outros problemas comportamentais devido ao uso incorreto da ferramenta. O colar é um equipamento que complementa e auxilia no treinamento; não é uma solução rápida e milagrosa.

Para cães com comportamento de guarda de recursos, ele se torna um equipamento de segurança, especialmente para cães maiores e pessoas com menos habilidade, que teriam dificuldade e se colocariam em risco na necessidade de uma contenção física. O colar permite um treinamento com menos contato físico e proximidade, tornando situações perigosas mais seguras.

Importante ressaltar que o colar eletrônico precisa ser ensinado, estar incluso dentro de um treinamento, e com auxílio de um profissional. Se tiver dúvidas de como utilizar, entre em contato.